A Exclusividade da Produção de Gravuras

A gravura é a mídia mais antiga que se tem notícia. Proporcionou a edição de livros, jornais e reproduções, depois da descoberta do papel. É produzida a partir de uma matriz. Essa matriz pode ser de pedra (litogravura), madeira (xilogravura), metal (gravura em metal), e outros, como a serigrafia e a calcogravura. Confira o programa do nosso Curso de Gravura.

Pode se chamar de gravura, o múltiplo de uma obra de arte, feita a partir de uma matriz. Essas reproduções são produzidas e acompanhadas pelo artista gravador, em uma edição restrita, assinada e numerada. A fidelidade das cópias e a qualidade da imagem fazem da gravura uma obra de arte de bom valor comercial. O processo é todo artesanal, o artista avalia todas as cópias depois de impressas.

Produção de Gravura em Metal

Cópias Autênticas

Definido o número de cópias, essas cópias são impressas e assinadas uma a uma pelo artista. A numeração é feita no canto inferior esquerdo. Essa identificação permite que se saiba exatamente qual é a cópia: 9/100. Indica que aquela é a cópia de número 9 de 100 cópias que foram produzidas.

Na fase de provas de impressão, o artista separa as gravuras e indica do que se trata cada fase das provas. Por exemplo, PI (prova do impressor), PE (prova de estado) ou PA (prova do artista). Normalmente o impressor é o mestre que faz a reprodução fiel das cópias, trabalhando em conjunto com o artista.

Muitos artistas produziram e ainda produzem suas obras de arte por meio da gravura. É um meio de expressão cultuado há muitos séculos. Foi criada em um tempo em que não havia nenhuma das tecnologias que temos disponíveis nos dias de hoje. Grandes placas de madeira foram usadas para a impressão de tecidos, nos primórdios da estamparia.

Produção de Gravuras em Xilogravura

Gravura em Metal

Feita a partir de uma chapa de metal. Originalmente era usado o cobre, por ser mais maleável e fácil de trabalhar. O desenho é feito usando um buril. O buril é uma ferramenta feita de aço e possui uma ponta aguda que risca o metal. Depois do desenho feito, a chapa é aquecida e espalha-se a tinta usando uma boneca de couro. Depois o excesso de tinta é retirado com o auxílio de um tecido, em movimentos circulares. A tinta fica localizada dentro dos sulcos marcados pelo buril. Em seguida, o papel é comprimido sobre a chapa de metal com o auxílio de uma prensa. Grandes mestres da Renascença reproduziram suas obras de arte usando a chapa de metal.

Produção de Gravuras em Metal

Litografia

Na litografia, a arte original é produzida a lápis ou crayon sobre uma pedra calcárea, chamada pedra litográfica. Depois de lixada, recebe banhos de ácidos, que fixam a gordura do desenho à pedra. Da mesma forma, o papel é prensado sobre a pedra litográfica, em uma prensa própria para litografia, originando a impressão. As áreas sem gordura são isoladas, usando uma goma. O ácido é aplicado, corroendo as áreas desenhadas. Essas áreas recebem a tinta aplicada com um rolo entintador. A litografia originou a moderna impressão offset. A pedra foi substituída por uma chapa gravada.

Produção de Gravuras Litografia

Xilografia

Uma matriz é produzida com o uso de goivas e formões. O artista entalha a madeira com o desenho que quer reproduzir. As partes que ficam em relevo, recebem a tinta, aplicada com um rolo próprio. A imagem é então transferida para o papel com o uso de uma colher de pau ou uma prensa. A xilografia é a forma mais antiga de gravar, utilizada pelo homem. Uma impressão bem feita, revela não só o desenho, mas as características da madeira, suas fibras e irregularidades. Com o surgimento da gravura em metal, a xilogravura foi substituída, como meio de impressão comercial. O artista holandês M.C. Escher produziu verdadeiras jóias usando a técnica da xilografia.

Produção de Gravuras Xilogravura

Serigrafia

A técnica considerada mais recente é a serigrafia. É um meio comercial de impressão, usada em várias mídias atuais. O desenho feito em papel vegetal, poliéster ou transparência, normalmente a nankim é usado para gravar uma tela de nylon. Para a gravação da matriz, é usada uma emulsão fotográfica que é exposta à luz, em uma mesa própria para esse fim. A área emulsionada que ficou coberta pelo desenho e não recebe luz solta facilmente com a utilização de um jato de água. A parte que foi exposta à luz se fixa na tela de nylon, criando um filme plástico que impede a passagem da tinta aplicada pelo rodo.

A impressão pode então ser feita com o uso do rodo. A tinta é puxada sobre a tela e vaza nas áreas abertas do desenho para o papel. As cores são aplicadas uma a uma, do claro para o escuro. Na serigrafia, camadas sucessivas de cores podem ser aplicadas, criando efeitos únicos no papel.

Produção de Gravuras em Serigrafia

A Importância da Gravura

A gravura era empregada por civilizações antigas como os egípcios. Os chineses passaram a utilizá-la a partir do século II. Renasceu na Europa do século XV como um meio de impressão comercial. Proporcionou a democratização do conhecimento. Substituiu o manuscrito e a iluminura. Na gravura, o número de impressões é limitado pela resistência da matriz. Depois de algum uso, a matriz se desgasta, encerrando as impressões.

Albert Durer produziu inúmeras obras em gravura é um dos pesquisadores da técnica. Ajudou a desenvolver a técnica da água forte. A descoberta da gravura em metal, no século XVI permitiu uma melhor qualidade da imagem e uma maior durabilidade da matriz, em grandes tiragens. A gravura em metal se sobrepõe à xilogravura a partir do século XVI, sendo usada em inúmeros processos de impressão.

Produção de Gravuras Entintamento

Declínio e Exclusividade

A gravura entrou em declínio no final do século XIX, após o surgimento da fotografia. Contribuiu também para o seu declínio como meio de reprodução a invenção de novos processos foto mecânicos para impressão. A partir daí, grandes mudanças no campo das artes e da ciência contribuiram para o surgimento de novos processos de impressão. A gravura ficou então restrita ao campo artístico. É uma exclusividade de artistas que dominam a técnica.

Muitos pintores utilizaram a técnica da gravura para reproduzir suas obras de arte. Entre eles, Goya, Rubens, Honoré Daumier, Gustave Doré, Rembrandt, Picasso e Salvador Dali. A serigrafia foi muito utilizada pelos artistas da pop art, como Roy Lichtenstein e Andy Warhol. Obras desses artistas e de muitos outros, como Victor Vasarely ainda estão disponíveis nos dias de hoje e podem ser adquiridas a um preço acessível, graças à técnica da gravura.

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